Sobre livros e finais

Crédito: StockSnap - CC0 Public Domain / Pixabay

Na aula magna do 1º Congresso Lusófono de Escrita Criativa, que ocorreu online durante a 61ª Feira do Livro de Porto Alegre (CLEC, para os íntimos), os escritores Luiz Antônio de Assis Brasil e Charles Kiefer foram provocados a responder sobre o que seria um bom romance e, no caso do Kiefer, um bom conto. 

Os dois, além de escritores, professores da PUC-RS, dissertaram, cada um em seu habitat, sobre os elementos que contribuem para que uma obra seja inesquecível. Assis Brasil citou, entre outras características que, os bons romances nos levam pelas mãos de boas personagens. Ou seja, que o final não é importante e, se os personagens e a história forem bem construídos, o desfecho nem sempre será lembrado. Já Kiefer, que transita pela área do conto, discorda e sabe que, se a obra for boa ninguém esquece o final. 

Eu, longe de ter a experiência dessas duas lendas literárias, não me importava com finais, embora lembre de quase todos. Pegando um ícone da cultura pop, enquanto todos reclamaram do final da série LOST, eu dei de ombros pois aproveitei a jornada - que, pra mim, por conta de um único personagem, foi linda. 

NÃO ME IMPORTAVA... até escrever minha própria obra. 

Escrever um livro no Wattpad tem suas vantagens: você sabe, em tempo real, o que está agradando e o que não está, porém, no meu caso, ter esse conhecimento, em nada mudou o desfecho do personagem principal do De Hoje Não Passa!, o psiquiatra Ricardo. 

Lembro que quando o último capítulo foi lançado, em menos de cinco minutos recebi protestos por todos os meios eletrônicos que eu tenho a minha disposição: WhatsApp, Messeger, E-mail e alguns comentários. Todos, com exceção de um, dizendo que o final havia sido inesperado e que preferiam que ele, o psiquiatra, tivesse esse ou aquele destino.

Mesmo não concordando com as sugestões, eu adorei as manifestações. Todas elas. De alguma forma, o meu personagem, que antes era só meu, havia sido aceito no mundo de outras pessoas ao ponto de elas torcerem pelo seu destino. De alguma maneira, o Ricardo deixou de ser apenas uma figura inexistente para ser um ponto de identificação das pessoas que acompanharam sua jornada. 

O fim que dei à história do Ricardo, na época em que escrevi, não vi nada mais coerente. O exercício de continuar a história semanalmente e, por meio dela, conhecer as minhas habilidades e limites culminaram no desfecho que, somente sob um argumento muito, mas muito forte, mudaria futuramente. 

A escritora portuguesa Ana Pierce fez um guia no Wattpad para escritores da plataforma e, em um dos capítulos, conseguiu resumir o que eu, de fato, acho do final da minha obra. 


E, para terminar, uma frase de um dos personagens que se tornou favorito, Doctor Who, da série de mesmo nome transmitida pela BBC UK:

"Eu sempre arranco a última página de um livro
Então, fica sem o final. Eu odeio finais."

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