Archive for dezembro 2015

Novo livro, novas histórias: Os pacientes de Ricardo

Para ler no Wattpad, clique aqui



Eu não sou psiquiatra, mas gosto de escrever sobre assuntos que envolvem doença mental. Acho que é uma forma de humanizar o que acontece na vida daqueles que - como eu - optam por enfrentar o preconceito (sim, existe - e muito) e se tratar.

Sei que corro o risco de arrumar algumas tretas homéricas, sobretudo com os profissionais que vivem essa realidade diariamente. Tenho a noção de que o que eles passam está longe do romance que transformo nas minhas histórias, mas do que seria da ficção se fôssemos apenas realidade?

Minha primeira novela - De Hoje Não Passa! -  chegou a 31,5 mil visualizações no Wattpad. Nesse meio tempo vi o quanto o personagem principal era carismático e o quanto as pessoas torciam por ele e pelas mulheres que o cercava. Então decidi escrever sobre esse personagem dentro das quatro paredes do consultório. A humanidade, a honestidade e as dificuldades que imagino que essa categoria tenha está no spin-off "Histórias de Consultório - Os pacientes de Ricardo". 

Convido a todos que queiram conhecer mais esses escritos, que cliquem aqui e aproveitem a viagem. 

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Capitulo II - Todo mundo é muita gente





- Você não tem que dar satisfação da tua vida. Pra nin-guém!

- Eu sei, mas vão perguntar. Ninguém some do mundo por dias e volta como se nada tivesse acontecido.

- Clark Kent sumiu por 5 anos e o povo parecia estar pouco se fodendo quando ele voltou. 

- Quem?

- Clark Kent. O Super-Homem. Assistiu Superman O Retorno? A tal da Louis Lane ganhou até um Pulitzer por dizer por que o mundo não precisava do Superman, lembra?

- Ah, sim, mas vamos considerar um fator bem importante nisso tudo? Superman é um filme, feito por um roteirista. Ele poderia ter sumido na Era dos Dinossauros e quando retornasse tudo estaria como o roteirista acha que deveria estar.

- É isso que quero dizer: Você faz o roteiro. Você vai se afastar para um tratamento, não por uma viagem ao teu planeta natal. É um tratamento. Assim como alguém pode se internar por diabetes, leucemia, gripe ou fratura por acidente de trânsito, você vai se tratar. Põe isso na tua cabeça.

- E quando eu voltar todo mundo vai me colocar hashtag #Aloka!

- Ah, sem drama. “Todo mundo” é muita gente. E, pensa comigo: onde está "todo mundo" quando você está mal? Por que dar chance para que essas mesmas pessoas interfiram no teu tratamento? Algo que vai fazer bem?

- Não sei se vai ser bom…

- Pelo menos é aprovado pela Associação Brasileira de Psiquiatria, o Conselho Regional de Medicina, o Ministério da Saú…

- Eu entendi! Sei disso. Mas falar é bem fácil. Me diz: quantas pessoas das quais você conhece se internaram por depressão?

- A Débora teve depressão ano passado; a Andreia, do RH. O Maurício, do pilates, a professora da Carol, o…

- OK. Mas QUANTAS dessas se internaram por depressão?

- A pergunta certa é QUANTAS dessas realmente PRECISARAM se internar?

- Que seja. Me diz QUANTAS?

- Nenhuma. 

- Pois é…

- Pois é o quê? Com exceção do Maurício, do pilates, todos tiveram acompanhamento médico. Se o médico achou que não era necessário, não internou. Até porque, talvez algum deles até precisou mas ficou que nem tu, com medo do que os outros iriam dizer e retardaram o tratamento. Entende a diferença?

- Minha mãe.

- O que tem ela?

- Imagina ela saber que o médico quer me internar!

- Que bom que é um médico, né, Elisa! pior seria se fosse um pai de santo. E de mais a mais ela sabe que Você está diferente. Que está doente. Precisa de tratamento e se o caminho for esse, certo que vai te apoiar.

- Não temos carro. Pensa na coitada pegando trocentos ônibus pra ir me visitar.

- Pelo amor de Deus! Daqui há pouco Você vai consultar o serviço de meteorologia pra ver se tem condições climáticas para a tua internação. Se não quer ir, não vai. Mas, conversa com o teu médico o …

- Ricardo. 

- Não era Lauri?

- Sim. Mas Ricardo é o médico que vai me atender se eu for pra clínica. Já me informei.

- Nome de rei.

- Nome de palhaço Bozo.

- Esse era Luiz Ricardo.

- Que seja… vou pensar. Tenho até terça para decidir. Se eu disser “sim”, me internam na quarta.

- Se disser “não”, é uma idiota. Você não tem nada a perder, Elisa. Nada.

- Falar é fácil.

- Se tratar também. E depois, vá que o médico seja gato?

- Gato… sei.

- Às vezes o Universo compensa certos esforços.

- Acho que é por isso que eu gosto tanto de ti.

- Não. Você gosta de mim porque eu vou te pagar um sorvete agora.

- Pode ser. Tá valendo.









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Capitulo I - Inveja dos mortos


Crédito: Antranias / Pixabay - Public Domain


Ricardo nunca admitiria em voz alta o quanto admirava os pacientes que liam na antessala enquanto aguardavam o atendimento. Eram silenciosos, provavelmente com uma cultura acima do que classificam como mediano. Sendo ele escritor que, embora premiado não era conhecido, os livros os conectavam. Na esmagadora maioria das vezes seus pacientes amantes de literatura entravam e saiam do consultório sem sequer desconfiar que estiveram diante de um ótimo contista. Um dos melhores, premiado uma par de vezes nos últimos 12 meses.

Quando ao entrar no consultório via alguém lendo, sem perceber, abria um pequeno sorriso. Por vezes, secretamente, desejou ignorar os males que levou aquele paciente até ali e simplesmente falar de literatura. Qualquer tipo, de qualquer jeito. Se iludia, por alguns instantes, imaginando que uma boa conversa sobre livros poderia fazer o que muitos fármacos não conseguem.

Ao ouvir seu nome, Maria Clara fechou o livro e colocou cuidadosamente na enorme bolsa vermelha. Seus gestos eram delicados e ela parecia não ter pressa para entrar no consultório. E, se existe algo que Ricardo aprendera é que, quando isso acontece, seu paciente estava ali contra a vontade. 


- Veio sozinha?
- Sim. Deveria ter vindo com alguém?
- Não. A menos que quisesse. Entre.

Se o corpo fala, o de Maria Clara gritava. Entrar na sala de um psiquiatra a tornava um ser extraterreno, na sua preconceituosa e secreta definição. Sabia que, a partir daquele dia, teria que ser cuidadosa ao falar sobre o assunto com um colega de trabalho ou ao chegar em casa, depois de uma consulta, com ares de que absolutamente nada aconteceu naquele dia. 

Sentou em uma poltrona azul, em frente a uma mesa de vidro. Seu corpo franzino se intimidou com a gentileza do médico que cruzou as mãos e sorriu, gentilmente, em sua direção. Não o conhecia pessoalmente e, num primeiro momento, quase não conseguiu esconder a surpresa de ser atendida por alguém tão jovem e, desconcertantemente, tão bonito. Colocou a bolsa no colo, fechou as pernas o máximo que pode. Sua coluna estava ereta e as mãos... ah, sempre as mãos, colocavam os lisos fios de cabelos castanhos para trás da orelha. Não uma, nem duas, mas repetidas vezes. Seus olhos não encontrariam os do Ricardo, nem depois da primeira pergunta:

- Como posso te ajudar, Maria?
- Maria Clara, por favor.
- OK. Maria Clara, bonito nome - sua admiração era genuína. No meio de um sorriso, conseguia esconder o cansaço que enfrentava naquela que seria a última consulta do dia. 
- Eu não sei ao certo...

Ricardo expressou surpresa mas se manteve em silêncio. Era comum, por falta de confiança ou mesmo por não se sentirem a vontade, os pacientes terem a ilusão de que o psiquiatra poderia adivinhar seus anseios sem mesmo abrir a boca. Houve uma época em que ele mesmo pensou ter esse dom. Mas fora surpreendido tantas vezes pela diversidade de caminhos que a mente humana pode seguir que, depois de alguns anos de profissão, preferia que o paciente contasse o problema.

Começou reclamando de insônia, falta de apetite, falta de interesse pelas aulas de artesanato que começara há uns três meses. Disse também que costumava passar longas horas sentada, sozinha, na beira do rio próximo a sua casa. Silenciou antes de dizer o que pensava nesses momentos.

- E, no que você pensa quando está sozinha?
- Muitas coisas.
- Quer me contar algumas?
- São bobagens.
- Gosto de ouvir bobagens. Mas sei que o que tem para me contar é importante. Deixa que eu avalio se é bobagem ou não. Certamente não é.
- Eu sinto inveja.
- Inveja?
- Sim. Inveja dos mortos.
- O que eles têm melhor que você?
- Estão mortos. Não tem mais nada. O nada é tudo o que eles têm. O nada é tudo o que eu gostaria de ter agora. Nada.

Ricardo silenciou. A experiência de médico psiquiatra alertava que era uma paciente que deveria ter um cuidado maior, mas o cansaço humano o fazia se concentrar apenas nos sintomas e nas soluções farmacêuticas disponíveis no mercado. Vinha de dois plantões no hospital e de uma discussão sem sentido com aquela que, até o momento ele não sabia, mas que até o final de sua vida seria identificada como sua “primeira esposa”, de duas. Estava a beira de um divórcio e, quando o cérebro encontrava lacunas na fala da paciente, era só nisso que, egoisticamente pensava.


Já vejo minha mãe choramingando com pena da Sophia, dizendo que eu jamais vou encontrar uma mulher como ela. Sinceramente? Espero que ela tenha razão.

Maria Clara continuava falando, com espaços cada vez maiores entre uma reclamação e outra, até morrer em um silêncio esperado. 

- O que você está lendo?
- O quê? - Maria Clara foi surpreendida por uma pergunta fora do script normal de uma consulta normal. 
- Você estava lendo um livro quando eu chamei. O que você está lendo?
- O Alienista. Machado de Assis. 
- Bom livro. Um dos melhores. 

O médico retomou a postura profissional e decidiu abreviar a consulta. Iguais a ela, passaram quatro, só naquele dia. Sabia o que receitar, as doses inicialmente baixas, nova consulta em 20 dias. Simples. 
- Já faz psicoterapia?
- Não. É muito caro. Meu plano não cobre e… meu plano é ruim.
- Eu entendo. 

Ricardo se levantou e foi até um armário de vidro, trancado com uma chave estranha, como se nele tivesse a resposta para a vida, o universo e tudo mais. Tirou uma caixa pequena e não tirava os olhos dela enquanto falava.
- Essa é uma amostra grátis. É um medicamento moderno, com poucos efeitos colaterais e…
- É muito caro?

O médico, como profissional, odiava quando o paciente condicionava o seu tratamento a valores financeiros. Já era sabido que, para a saúde, todo investimento valia a pena, mas ele, sendo  um profissional liberal, sabia que mesmo para as suas necessidades básicas dependia da condição financeira de outras pessoas. Mediante uma crise iminente, não poderia se dar ao luxo de ser arrogante. Não diante de alguém que havia lhe procurado para pedir ajuda.

- É uma novidade no mercado. Acho que pode te ajudar muito mais do que outros medicamentos com preços acessíveis, mas tenho que considerar o custo do tratamento se não quiser que você abandone ele por questões financeiras. 

A moça sorriu de canto. Pela primeira vez alguém, de uma posição social acima da sua, reconhecia que a falta de dinheiro poderia ser um problema e usaria o plano B, de “Bolso vazio”. O sorriso foi discreto, mas não imperceptível ao médico. Mesmo cansado e não se esforçando com o deveria, estava cumprindo sua missão. Receitou algo mais em conta e marcou uma nova consulta, com um tempo maior. Queria compensar o descaso que só ele sabia que tinha em relação aquele atendimento. 

Assim foi por quase quatro meses. Até que, em uma das consultas, ela não aparceu. 

Maria Clara é um dos personagens do livro De Hoje Não Passa!, disponível no Wattpad. O destino da personagem pode ser lido no capítulo IV - Flores Roxas e Amarelas. A publicação dos capítulos flashbacks serão numeradas, porém sem periodicidade estabelecida.

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As dores e as delícias de publicar no Wattpad

Reprodução

Há três anos descobri o Wattpad. Acho que no Google Play, mas, por durante quase dois anos e meio eu o ignorei com muito sucesso. A plataforma que se propunha a ser uma rede social para quem gosta de ler e também escrever, nos primeiros contatos, havia sido uma decepção. Não encontrava nenhum livro que pudesse me levar até o final da história e, por outro lado, não tinha coragem de postar o que eu, secretamente, produzia. 

Até que uma amiga "de internet" de muitos anos, se aventurou a postar uma fan fiction lá. Duas, na verdade. Comecei a acompanhar ela de longe e vi que o local não era um bicho de sete cabeças. Se eu quisesse perder o medo de mostrar algo a alguém, ali seria o lugar ideal.

E foi o que fiz. Comecei postando um texto - que até agora não encontrei uma categoria - de dois capítulos chamada "Da correnteza ao rio", sobre a minha relação com a banda Cidadão Quem a partir do velório do baixista Luciano Leindecker. 

Sem muitas visualizações, o texto serviu para perder o temor que eu tinha de me expor. Vi que era possível escrever algo mesmo que esse algo não fosse digno de ser imortalizado por um prêmio literário. Então me joguei com o De Hoje Não Passa!, novela que atingiu até o momento, 29 mil visualizações e rendeu alguns elogios e criticas sinceras. 

Embalado nisso, com o fim do meu blog de música, Hit na Rede, decidi usar o Wattpad para salvar cerca de dez posts. Isso aconteceu em forma de livro "Os 10 melhores textões do Hit na Rede" que, embora não se concretize com visualizações, serve como um registro eterno. 

Mas, se você é um escriba de final de semana e quer se aventurar a mostrar o que faz na rede mundial de computadores, o Wattpad é um bom caminho que, como todos os bons caminhos existem os "mas" e "poréns" da jornada. Então, divido com vocês a minha (pequena experiência) com esse mundinho e espero ajudar para quem está decidindo se mostra o que escreve ou compra uma moto. 

1. A plataforma é colaborativa. Portanto, colabore!
Crédito: McLac200 / Pixabay - Sob Creative Commons

Nada acontece do dia para noite lá dentro, exceto o fato de você publicar quando e como quiser, Os leitores e seguidores não surgem do nada só porque você é um gênio literário. Eles surgem das relações de amizade pessoal, de outras redes sociais e do tempo que você disponibiliza para ler e comentar (com sinceridade) outras obras. A partir deles, o Wattpad - que é intuitivo - vai indicando outras pessoas e obras com as quais você pode se identificar e a mágica vai acontecendo. Aos poucos e de maneira super natural.

2. Poste em capítulos ou tudo de uma vez
Crédito: Kamiel79/ Pixabay - Sob Creative Commons

O Wattpad permite que você poste sua história em capítulos, com a periodicidade que você determinar, ou tudo de uma única vez. Postando em capítulos você vai, a medida que a obra avança, conquistando novos leitores, opiniões e vai vendo, em tempo real, como a sua história está sendo aceita pelo público. Confesso que isso dá um incentivo bacana para que a história chegue ao final com estilo, mas pode atrapalhar também. Tudo depende como você lida com o feedback.

3. Comentários, estrelinhas e redes sociais
Crédito: OpenClipartVetor / Pixabay - Sob Creative Commons

O Wattpad dá um jeito de incentivar as pessoas a escrever. E isso acontece por se tratar de uma rede social. Quando você escreve, tem o número de visualizações do capítulo e  número de votos (estrelinhas) que aquele capítulo recebeu, além dos comentários. 

Acontece que muita gente lê e não comenta e nem vota nos capítulos. Acho justo porque, quando você compra um livro impresso, o autor nunca vai saber o que você achou de tal parte do livro e o leitor não tem a mínima obrigação de dar esse feedback. Mas existe essa possibilidade de a pessoa que ler, além da visulização (que é automática) presentear o autor com um estrelinha dizendo "super OK o que você escreveu" e se curtiu de maneira incondicional, se manifestar, caso queira por meio de comentários. 

Além disso pode transformar frases em imagens e espalhar nas redes sociais, o que é bastante bacana. 

4. Plágios... sempre eles.
Crédito: Geralt / Pixabay - Sob Creative Commons

Quando eu estive em um workshop com o Paulo Tedesco, na Feira do Livro de Porto Alegre, comentei que tinha uma história publicada no Wattpad. De imediato ele me alertou que, apenas o fato de estar na internet já tira o ineditismo da obra - quesito obrigatório em alguns concursos literários. Caso eu quisesse participar de um, com esse texto, nem pensar. 

Além disso ele me alertou para o risco de plágio. Um ser humano lê a história, acha legalzinho e publica, sem dó nem piedade, como sendo sua. Isso pode acontecer. No Wattpad vejo sempre o alerta "PLAGIO É CRIME", porque, infelizmente, a prática é mais comum do que se gostaria. Portanto, o risco é grande, mas se você estiver disposto a correr, siga em frente.

Mas tem um jeito de se proteger... parcialmente

Quando o livro DHNP começou a ter uma visibilidade na plataforma pensei "vai ver as pessoas gostam, de verdade, disso que eu escrevi" e comecei a cogitar a possibilidade de proteger os escritos caso, futuramente, quisesses publicar. Então comecei a me informar sobre registros, ISBN, Escritório de Direitos Autorais e cheguei a uma opção bem OK: registrar na Biblioteca Nacional - Escritório de Direitos Autorais.

O processo pode demorar até 90 dias para retornar com um número de registro, mas quando isso acontece, o número te diz: essa obra tem dono!

Você só precisa preencher um formulário sobre a sua obra, pagar uma taxa de R$ 20 no Banco do Brasil, fazer uma cópia (com páginas numeradas e rubricadas), tirar cópias dos seus documentos e comprovante de residência e postar no correio. O custo do correio, se for com confirmação e registrada, cartas de até 499 gramas (média de 80 páginas), custa R$13 (do Rio Grande do Sul para o Rio de Janeiro). Se passar de 500 gramas, daí, só Sedex e o lance pode custar até R$ 40. 

Veridicto: para perder o medo, vale a experiência. Eu entrei sem a mínima pretensão e ter quase 30 mil visualizações é, de longe, um grande feito. Mas se o lance é investir profissionalmente, o Wattpad mais pode atrapalhar que ajudar. Cada caso é um caso. Pra mim, valeu a pena porque conheci gente bacana, livros legais e estabeleci uma conversa boa com algumas pessoas por lá. Mas o próximo, talvez, não saia lá. Pelo menos para que eu possa dormir sossegada, caso queira publicar. 

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Sobre livros e finais

Crédito: StockSnap - CC0 Public Domain / Pixabay

Na aula magna do 1º Congresso Lusófono de Escrita Criativa, que ocorreu online durante a 61ª Feira do Livro de Porto Alegre (CLEC, para os íntimos), os escritores Luiz Antônio de Assis Brasil e Charles Kiefer foram provocados a responder sobre o que seria um bom romance e, no caso do Kiefer, um bom conto. 

Os dois, além de escritores, professores da PUC-RS, dissertaram, cada um em seu habitat, sobre os elementos que contribuem para que uma obra seja inesquecível. Assis Brasil citou, entre outras características que, os bons romances nos levam pelas mãos de boas personagens. Ou seja, que o final não é importante e, se os personagens e a história forem bem construídos, o desfecho nem sempre será lembrado. Já Kiefer, que transita pela área do conto, discorda e sabe que, se a obra for boa ninguém esquece o final. 

Eu, longe de ter a experiência dessas duas lendas literárias, não me importava com finais, embora lembre de quase todos. Pegando um ícone da cultura pop, enquanto todos reclamaram do final da série LOST, eu dei de ombros pois aproveitei a jornada - que, pra mim, por conta de um único personagem, foi linda. 

NÃO ME IMPORTAVA... até escrever minha própria obra. 

Escrever um livro no Wattpad tem suas vantagens: você sabe, em tempo real, o que está agradando e o que não está, porém, no meu caso, ter esse conhecimento, em nada mudou o desfecho do personagem principal do De Hoje Não Passa!, o psiquiatra Ricardo. 

Lembro que quando o último capítulo foi lançado, em menos de cinco minutos recebi protestos por todos os meios eletrônicos que eu tenho a minha disposição: WhatsApp, Messeger, E-mail e alguns comentários. Todos, com exceção de um, dizendo que o final havia sido inesperado e que preferiam que ele, o psiquiatra, tivesse esse ou aquele destino.

Mesmo não concordando com as sugestões, eu adorei as manifestações. Todas elas. De alguma forma, o meu personagem, que antes era só meu, havia sido aceito no mundo de outras pessoas ao ponto de elas torcerem pelo seu destino. De alguma maneira, o Ricardo deixou de ser apenas uma figura inexistente para ser um ponto de identificação das pessoas que acompanharam sua jornada. 

O fim que dei à história do Ricardo, na época em que escrevi, não vi nada mais coerente. O exercício de continuar a história semanalmente e, por meio dela, conhecer as minhas habilidades e limites culminaram no desfecho que, somente sob um argumento muito, mas muito forte, mudaria futuramente. 

A escritora portuguesa Ana Pierce fez um guia no Wattpad para escritores da plataforma e, em um dos capítulos, conseguiu resumir o que eu, de fato, acho do final da minha obra. 


E, para terminar, uma frase de um dos personagens que se tornou favorito, Doctor Who, da série de mesmo nome transmitida pela BBC UK:

"Eu sempre arranco a última página de um livro
Então, fica sem o final. Eu odeio finais."

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